segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Bolsa milionária

Aprendi com a Revista "Mundo estranho", da editora Abril, na edição de agosto de 2011, que uma bolsa Hermès, por ser feita artesanalmente com couro de crocodilos criados numa fazenda na Austrália, pode custar a bagatela  de 120 mil reais, ou seja, o mesmo que um apartamento.
Outro argumento a favor desse disparate (para quem sobrevive com um centésimo dessa quantia por mês, por exemplo) é que ela, além dos atributos acima, pode ser considerada um investimento, a ser passado de geração a geração.
Fala sério: alguém que compre uma bolsinha dessas vai querer ostentar uma já usada e que pertenceu à sua bisavó? Quem compra produtos que são símbolo de status, requinte e tradição vai querer sempre itens novos, para deixar boquiabertas as degredadas filhas de Eva que têm que se contentar com bolsas sem grife, sem estilo e sem glamur!

Censura ainda em voga

O jornal "O Estado de S. Paulo" trouxe nesse domingo, 31 de julho, um caderno especial sobre a luta que trava contra a censura imposta por ordem judicial. Há exatos dois anos, o noticioso, um dos mais lidos do país, está impedido de divulgar fatos sobre a Operação Boi Barrica, que investiga irregularidades, tráfico de influência e corrupção  em ministérios e estatais. O pedido de amordaçamento foi feito por Fernando Sarney, filho do dono da província do Maranhão.
Soberanos e reis sempre justificaram seu poder  com diferentes razões: direito divino, sangue azul, carisma ou força. Atualmente, na era da informação, é preciso arrumar outras justificativas. Na falta delas, serve ter no Judiciário um juiz amigo da família.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sobre amizade

Li um texto muito bonito sobre amizade, num email, e gostaria de refletir um pouco sobre esse  sentimento fundamental.
Já me disseram que amizade é uma relação de afeto em que não há contato sexual. O resto é tudo igual: encantamento, alegrias, ciumeiras, preocupações, festa, saudade, reencontro festejado, etc, etc, etc.
Acredito que ter amgos é  também uma questão de aprendizado e de mudanças. Quando pequenos, os amigos nos servem (e a eles servimos) para companhia, fortalecimento, aprendizado.
Na idade madura parece ficar clarificado que amigos são almas gêmeas que encontramos pela vida e que nos dão (e a quem damos) o que de melhor podemos, nem que seja pouco: um chazinho na tarde, uma prosa num canto reservado, confidências que não faríamos nem ao travesseiro. Com amigo se pensa alto, com amigo se vive, com amigo se é feliz.
Bi, Cecília, Cleuza, Marly, Zélia e tantos outros amigos, vocês são tudo isso (e o céu também) para mim. Agradeço à vida o privilégio de tê-los por perto ou a distância, completando, alegrando e enriquecendo minha vida.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Noruega (e o mundo) de olhos arregalados

Os países escandinavos, com suas populações de hábitos discretos e politicamente corretos povoam nosso imaginário como lugares de paz, calma e harmonia.
Talvez por isso seja tão difícil entender o atentado duplo com carro-bomba contra Oslo e a tiros na Ilha de Utoya , considerado o maior massacre da história da Noruega desde a Segunda Guerra Mundial.
O ultradireitista Anders Behring Breivik, autor confesso do duplo atentado,  aparece nas fotos com os esperados cabelos loiros e olhos azuis e já foi classificado como  louco por muitos especialistas.
Fatos como esses nos levam a refletir sobre o mal, a violência, o terror. Em terras de injustiça social e instabilidade política, sem respeito aos direitos humanos, eles são vistos como a reação humana esperada e quase que obrigatória contra esses fatos. Mas, como justificar ou entender o ódio ao diferente, ao estrangeiro, abrigado em alguém que teve paz, casa, comida, escola, boas condições de vida e de trabalho, muitas vezes uma sólida orientação religiosa?
Ficam a interrogação, o susto, a perplexidade. Que estranhos caminhos percorre a mente humana, na sua tarefa diuturna de entender o mundo, entender-se a si próprio, encontrar seu canto e ser feliz?

Brilho efêmero

Segundo noticiário do Terra, o corpo da cantora Amy Winehouse foi cremado nesta terça-feira, 26 de julho, no crematório de Golders Green, em Londres. Aos 27 anos, a cantora era exemplo de talento mal administrado. Sua figura jovem, vestida e (des)penteada quase que debochadamente, parecia assustadora ou patética, insegura ou irônica.
É difícil fugir da surrada figura da mariposa atraída pela luz e por ela ofuscada. Amy viveu intensamente, cantou, encantou, bebeu, drogou-se e morreu, tudo muito rapidamente. 
Ouvi e li jovens dizendo e escrevendo que ela era ídolo de muitos deles. Pobre e frágil ídolo, de pés liquefeitos, incapazes de firmá-la no chão.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Martinópolis no Jornal Nacional!

A prefeitura de Martinópolis, cidade do oeste do Estado, está devendo aos funcionários. A irregularidade nos pagamentos vem ocorrendo desde o mês de outubro passado, mas parece que a situação agora piorou.
O prefeito, Waldemir Caetano, preocupado com a situação dos servidores, tomou medidas drásticas: primeiro estabeleceu um critério muito interessante para pagar aos poucos seu pessoal: por ordem alfabética. Fez um sorteio (uma funcionária declarou que esse sorteio aconteceu) e a ordem sorteada foi do fim para o começo, ou seja, começando pela letra Z. Assim, ele, prefeito, de nome Waldemir, já recebeu, por conta da sorte, os 11 mil reais que lhe cabem como salário.
A outra medida tomada pelo alcaide foi baixar um decreto que proibe manifestações dos funcionários sobre "assuntos particulares da administração", incluindo, é claro, a questão dos salários.Segundo o prefeito, ele queria impedir que o caso fosse parar na mídia regional ou estadual, como já aconteceu anteriormente.
Parece que alguém mais lúcido (e corajoso) desobedeceu ao prefeito e deu um toque para a TV. O caso não só apareceu nos noticiários locais e regionais, mas foi visto por todo o Brasil, via JN.
Como muitos casos da política brasileira municipal, estadual ou federal, este também seria cômico, se não fosse trágico!!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Assunto delicado

A filósofa francesa Elisabeth Badinter, professora da École Poytechnique, deu longa entrevista às páginas Amarelas da Revista Veja de 20 de julho, falando sobre maternidade e amor materno. Para ela, essa ligação forte entre mães e filhos pode ter não apenas aspectos emocionais, psicológicos, mas também culturais, uma vez que há uma pressão muito grande para que as mulheres sejam mães, e mães perfeitas.
Há verdadeiros dogmas sobre a maternidade, esperando-se, quase sempre, que as mães sofram por seus filhos - a começar pelo parto, que muitos defendem que seja natural e sem anestesia - pela beleza do sacrifício.
Lembrei-me de um sermão ouvido faz um muito tempo. Era Dia das Mães e padre contou uma edificante historinha: mãe e filho salvaram-se de um naufrágio e se viram numa ilha deserta. A mãe amamentou o filho até que seu leite acabasse. Desesperada, ela abriu com uma faca o próprio seio, para que o filho lhe mamasse o sangue e sobrevivesse até que chegasse o resgate. Um certo exagero, concordam?? Mas, é com histórias assim que se forma a cabeça de uma mãe!
Pelo tamanho da campanha, surpreende-me que muitas de nós tenhamos conseguido sobreviver com algum lampejo de lucidez!!